“…tinha chego.”

22 11 2007

Algumas pessoas pensam que falam polidamente quando dizem ter sido informadas de que “alguém… havia chego” e não chegado.

Os verbos possuem a forma infinitiva denominada particípio e há os que são chamados verbos abundantes, por possuírem duas formas, especialmente no particípio:

O particípio regular, terminado em –ado e em –ido, usado apenas na voz ativa, forma locução com os verbos auxiliares TER e HAVER.

Exemplos:

“Eu tenho salvado o patrimônio da família.”

“Nossos vizinhos têm pegado coisas estranhas toda manhã.”

O particípio irregular, ou reduzido, com várias terminações, é usado na voz passiva quando houver como auxiliar o verbo SER ou o verbo ESTAR.

Exemplos:

“O patrimônio da família foi salvo por mim.”

“Nossos vizinhos foram pegos pela polícia.”

“Logo mais nossos vizinhos estarão presos.”

Os verbos FAZER, DIZER, PÔR, VER, VIR, ABRIR, COBRIR E ESCREVER possuem somente a forma reduzida, ou irregular do particípio: feito, dito, posto, vindo, aberto, coberto e escrito.

Caiu em desuso o particípio regular dos verbos PAGAR, GANHAR E GASTAR, restando portanto usá-los como pago, ganho e gasto, em locução com TER, HAVER, SER e ESTAR:

Exemplos:

“A conta já foi paga.”

“Ela já havia pago a conta.”

“Este dinheiro foi ganho com meu trabalho.”

“Eu tinha ganho este dinheiro com meu trabalho”

E agora…má notícia: não existe a forma reduzida ou irregular do particípio do verbo CHEGAR, assim como de outros, como os verbos MANDAR, TRAZER, CEGAR e PREGAR.

TER CHEGO ou HAVER CHEGO são tão errados quanto se dizer: TER MANDO, TER TRAGO, HAVER CEGO, HAVER PREGO ou ESTAR PREGO.

Fontes: Novo Dicionário Aurélio; Gramática da Língua Portuguesa – Pasquale e Ulisses; Gramática da Língua Portuguesa – Domingos Paschoal Cegalla. www.sualingua.com.br



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