Tu ou Você.
9 05 2008Os pronomes são as palavras variáveis em gênero, número e pessoa que substituem ou acompanham o nome (substantivo e adjetivo), indicando-o como pessoa do discurso. Existem pronomes pessoais (retos, oblíquos e os de tratamento), possessivos, demonstrativos, relativos, indefinidos e interrogativos.
Os pronomes pessoais servem para designar as três pessoas do discurso e os do caso reto são: eu, tu, ele, nós, vós, eles, estando os três primeiros no singular e os três últimos no plural. Em qualquer frase “eu” indica a pessoa que fala, e “nós” as pessoas que falam (primeira pessoa - emissor); “tu” e “vós”, designam a pessoa ou as pessoas com quem se fala (segunda pessoa - receptor); e finalmente “ele” e “eles” determinam as pessoas de quem se fala (terceira pessoa - referente).
Os pronomes pessoais exercem a função de sujeito da frase e, como se sabe, o “sujeito” é o elemento a respeito do qual se informa algo, enquanto que o “complemento” apenas completa o sentido da frase. O verbo querer significa desejar, almejar, exigir, permitir, entre outras coisas, mas se for dito somente “eu quero” a frase estará incompleta, pois não se sabe o que a pessoa quer, havendo portanto a necessidade de se incorporar aí o complemento, resultando por exemplo em “eu quero você”, que também pode ser “eu te quero”.
Na frase “tu me amas” há dois pronomes pessoais, sendo “tu” um pronome pessoal reto que funciona como sujeito, e “me” um pronome pessoal oblíquo que faz o papel de complemento. Para facilitar o entendimento podemos dizer que os pronomes pessoais retos somente são usados precedendo verbos (eu faço…, tu envias…, tu compras…, etc.), pois é assim que servem como sujeito.
Já sabemos o que é e para que serve o “tu”.
Quanto ao “você”, este é pronome de tratamento, assim como “o senhor” e “a senhora” e os cerimoniosos como “V. Excelência”, “V. Santidade”, e outros, que servem para nos dirigirmos a alguém, mas é usado com caráter intimo, entre iguais, ou de superior para subordinado. Tem origem no antigo “Vossa Mercê” e também já foi, ou é, vassuncê, vossemecê, vosmecê, ocê, cê, e outras formas. “Você”, como os demais pronomes de tratamento, também atua no papel de sujeito da frase e corresponde à pessoa com quem se fala, mas o verbo que por ele é precedido está na forma que corresponde à terceira pessoa. Por exemplo, pode-se dizer: “você faz a diferença“, com o verbo fazer na terceira pessoa do presente do indicativo; mas se usássemos “tu” a frase seria “tu fazes a diferença“, com o verbo fazer na segunda pessoa do presente do indicativo.
É interessante a observação de que o pronome “vós” (segunda pessoa do plural) está quase em desuso e que no seu lugar usa-se mais “vocês”, e até seria preferível que a evolução da língua levasse a que um dia se fizesse a substituição definitiva, inclusive do “tu” pelo “você”, já que por certo não teríamos mais as confusões que se fazem entre “tu”, “te” e “ti”. Observemos que a frase “depois eu envio a você” pode ser substituída por “depois eu te envio“ ou “depois eu envio a ti”, mas não pode ser substituída por “depois eu envio a tu”. Isto acontece porque, como esclarecido antes, os pronomes pessoais retos somente são usados como sujeito, e aqui o “tu” foi erroneamente usado como complemento. Também podemos dizer “depois eu envio a ele”, pois somente “eu” e “tu” são exclusivamente pronomes pessoais retos, enquanto que “ele”, “nós”, “vós”, “eles” podem ser também pronomes pessoais oblíquos, o que permite o seu uso como complemento.


