“Amazônia…muito falada por todos, mas desconhecida por quase todos.”

29 06 2008

A mídia e o preconceito.

A grande mídia cria e destrói qualquer coisa.

Com suas ações a mídia cria mitos e celebridades e ajuda a vender os produtos que anuncia, entre eles o turismo das cidades e regiões que divulga todos os dias nas suas matérias jornalísticas e de variedades. Por outro lado, pela simples omissão de informações esclarecedoras ou pela forma como se refere ao objeto da divulgação, a mesma mídia ajuda a construir ou a manter preconceito em relação a pessoas, entidades, raças ou regiões geopolíticas, como é o caso do Norte e do Nordeste do Brasil.

Há muito tempo os brasileiros que não conhecem a Amazônia brasileira e a Região Norte do Brasil, o seu povo e as suas cidades, acreditam que lá só existem florestas, desmatamento e perigos, para os quais concorrem animais selvagens, doenças graves, mosquitos, muito calor e povos primitivos. E esse preconceito estereotipado é reforçado por professores, que transmitem somente as suas convicções equivocadas e o que encontram em materiais didáticos incompletos; e também pelo desinteresse das próprias pessoas da região, ocupadas com outras coisas, e que ingenuamente não percebem o nível de rejeição de que são vítimas. Mesmo os curiosos não sabem como são as cidades da Amazônia, porque ninguém mostra imagens comuns delas, nem em livros ou revistas, e muito menos na televisão, e a maioria jamais viu uma foto de Belém que não seja do Ver-O-Peso, ou de Manaus, que não seja do Teatro Amazonas e de palafitas nas favelas que margeiam igarapés, ou insistentemente dos pontos que eles chamam de “turísticos”.

É comum ouvir-se das pessoas de qualquer lugar do Brasil que “lá é muito longe”, e que só se consegue chegar “lá” através de avião ou navio, com muito tempo de viagem. Mas as mesmas pessoas referem-se aos Estados Unidos e à Europa como se estivessem “logo ali”, esquecendo-se de que esses lugares estão muito mais distantes que a região amazônica e que também só se chega a eles em viagens muito mais longas de avião ou de navio. Considerando este aspecto os órgãos oficiais e os operadores de turismo da Região Norte concentram suas ações de propaganda e marketing no exterior, desprezando o mercado do Brasil carregado de preconceito, sendo esta mais uma razão para que os brasileiros não saibam como é a Amazônia.

Quando a televisão mostra qualquer matéria sobre as cidades do Sudeste e do Sul, mesmo que os temas sejam tragédias ou fatos criminosos, antes são exibidas imagens que levam a assistência a se lembrar que aquela é uma bela cidade, entre outras de uma região que detém tudo que há de melhor no país, conforme se divulga, esquecendo que nelas também existem inundações, trânsito engarrafado, favelas e falta de segurança, de saneamento, de ensino e de assistência médica, que assolam o Brasil de norte a sul. Todavia se o assunto é sobre a Amazônia, a repórter se posiciona tendo ao fundo um rio, lixo, palafitas ou um matagal, e abaixo surge uma legenda, por exemplo: “Daniela… – Manaus”, não se sabe com qual intenção, mas fazendo crer que somente aquilo é a capital do Amazonas, uma cidade de quase 2 milhões de habitantes, moderna, que detém o sétimo maior PIB entre os municípios brasileiros e a oitava posição entre as cidades mais populosas.

A dengue hemorrágica subiu de 1 para 11 casos na área metropolitana de Manaus (acréscimo de 1.000%, como se sabe), com 1 morte, mas o noticiário de televisão, para impressionar de forma negativa, informa com ênfase que “… o aumento em Manaus foi de 1.000% …”, sem explicar que o total é de onze pessoas doentes, e fazendo os distraídos inferirem que o número é muito maior. Não se deve duvidar que alguém ouve as notícias e pensa: “… se no Rio morreram 75, no Norte devem ter morrido muitos mais!”.

Lê-se e escuta-se tudo sobre a Amazônia, desde dados técnicos bem elaborados até comentários tolos e irresponsáveis, como “é preciso fechar e jogar a chave fora”, e infelizmente o que mais se destaca é dito por quem jamais foi lá e não sabe nada de lá, principalmente os brasileiros.

Porém isso só acontece aqui, porque a Amazônia é uma das cinco marcas mais lembradas pelo mundo afora, e o Brasil é conhecido como o país penta-campeão de futebol, pelo carnaval e pela…Amazônia, cobiçada por todos, desconhecida e desdenhada pelos brasileiros, seus donos - como quer o presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Links e imagens reais.

A descrição da Amazônia só cabe em incontáveis páginas. Por isso, diante da impossibilidade de detalhar aqui os diversos assuntos, cada um deles pode ser melhor esclarecido com a leitura em sites e obras publicadas, que podem ser acessadas através dos hyperlinks sugeridos ao longo deste texto, alguns até com opiniões conflitantes, mas que ajudam a busca da verdade e incitam as possíveis discussões.

O Google Earth, software gratuito, permite que se vejam imagens minuciosas e reais de todas as regiões do planeta e, neste caso, principalmente as da Amazônia. É possível a visualização com total nitidez dos menores detalhes de tudo que existe nas cidades e na “zona rural”, acidentes geográficos, áreas desmatadas, rios, estradas, etc. e mais uma grande quantidade de fotos de todos os locais. Tratando-se da Amazônia, além das cidades, é conveniente que se observem as calhas dos rios e os leitos das estradas, pois mesmo sem necessidade de muita aproximação consegue-se enxergar os contrastes bastante claros entre a vegetação nativa e a aparência resultante da ocupação por sítios e fazendas, além das atividades de desmatamento predatório, obviamente excluindo-se as áreas que não são originariamente ocupadas pela floresta tropical. As imagens não são atualizadas com muita freqüência, mas são recentes. O software pode ser baixado AQUI.

Todos os dados constantes neste texto sobre os tamanhos das populações e dos territórios envolvidos têm como fonte o IBGE.

O que significa Amazônia.

1 - Amazônia é a região situada na parte norte da América do Sul, com cerca de 6 milhões de km², e que é composta por toda a Região Norte do Brasil e trechos dos territórios de mais oito países: Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. Corresponde à área da maior floresta equatorial e da maior bacia hidrográfica do mundo, considerada fundamental para a estabilidade e o futuro dos ecossistemas do planeta terra, influenciando extraordinariamente as condições climáticas, principalmente do restante do território brasileiro. A linha de fronteiras do Brasil na região amazônica é de 11.500km, desde a Bolívia até a foz do Rio Oiapoque e ali estão dois dos pontos extremos do Brasil: o norte, na nascente do rio Ailã - monte Caburaí/RR, fronteira com a Guiana; e o oeste, nas nascentes do Rio Moa - serra de Contamana ou do Divisor/AC, fronteira com o Peru. É interessante notar que o rio Oiapoque é o extremo norte do país apenas na linha do litoral.

2 - A Amazônia Legal corresponde aos estados da Região Norte, mais o estado de Mato Grosso, o oeste do Maranhão e cinco municípios de Goiás. Ocupa 5.088.668,44km² com uma população de 23.596.953 habitantes e, com se vê no mapa, não é totalmente constituída de florestas.









MAPA 1


Cerrado - Campos - Lavrados

Florestas

Áreas de desmatamento

3 - A Região Norte do Brasil compreende os estados: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, com território de 3.853.327,24km² e 14.623.316 habitantes.

4 - O Bioma Amazônia possui área aproximada de 4.196.943km² formada pelas áreas totais dos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, com 3.575.706,33km², que devem ser somados a 621.236,67km² das áreas norte e oeste de Mato-Grosso, norte de Tocantins e oeste do Maranhão.

MAPA 2

O tamanho da Amazônia e como vivem os amazônidas.

O apresentador do telejornal dá a notícia de que “…a Polícia Federal apreendeu madeira ilegal na Amazônia…” como se falasse de uma coisa uniforme, pequena e isolada em um ponto qualquer do norte do país, e quem ouve a narrativa imagina que estão acabando com todas as árvores da Amazônia. De verdade, porém, o fato ocorreu em um ponto isolado de um gigantesco espaço geográfico que é maior que a metade do Brasil (59,76%) e onde vivem, estudam e trabalham cerca de 23 milhões de pessoas (12,97% dos 183,99 milhões de habitantes do país).

Esse enorme território concorre para uma grande diversidade geográfica e biológica, e também entre os seus habitantes, com origens, costumes e vários sotaques diferentes. O estado do Amazonas, sozinho, é quase do mesmo tamanho da região Nordeste inteira, com os seus nove estados, mas no seu território vivem pouco mais de 3,3 milhões de pessoas, que é uma população equivalente à da área metropolitana de Recife/PE, resultando dessa característica os gigantescos vazios demográficos que se espalham por toda a região, como extensos desertos verdes cortados por mais de 1.000 rios, lagos, igapós e igarapés. Desses rios, 10 estão entre os 20 maiores do mundo. Leia mais detalhes em Amazônia - Norte Brasileiro.

As áreas urbanas da Amazônia legal ocupam 2,64 mil km² dos seus mais de 5 milhões de km² (somente 0,052%), e 61% da população vivem nas cidades: Manaus/AM e Belém/PA com mais de 1,4 milhões de habitantes cada uma, São Luis/MA com 957,5 mil, Cuiabá com 527 mil, Porto Velho/RO, Boa Vista/RR, Macapá/AP, Rio Branco/AC, Santarém/PA e Palmas/TO entre 180 mil e 400 mil habitantes; e em outras centenas de cidades, vilas e comunidades situadas predominantemente às margens de rios, obviamente porque isso sempre facilitou o transporte da região, que utiliza a maior “malha” hidroviária do mundo.

Ao contrário do que os não esclarecidos pensam, as cidades amazônicas são iguais às das outras regiões, e quem mora na Amazônia não vive “na floresta”, da mesma forma que nas outras cidades do Brasil as pessoas não vivem “na mata…atlântica”, “no brejo” ou “no cerrado” (veja no Google Earth). Manaus e Belém já tiveram outros períodos de esplendor durante os dois ciclos da borracha, entre o final do século XIX e meados do século XX, quando eram consideradas entre as mais importantes do mundo. Manaus foi a primeira cidade brasileira a ser urbanizada e a segunda a possuir rede elétrica e bonde elétrico, enquanto na maior parte das cidades brasileiras as pessoas ainda andavam em carruagens e carroças, e teve também a primeira Universidade brasileira, criada em 1909 – que deu origem à atual UFAM - fato registrado no Guiness Book (Guiness World Records).

O IDH das principais cidades rodeia a média nacional que é 0800. O IDH de Belém/PA é 0806 e o de Manas é 0774 - entre 0650, na periferia, e 0940 em bairros e locais considerados nobres. O IDH de Cuiabá é 0821 e o de São Luis é 0778.

Leia mais sobre estes assuntos em PNUD Brasil e em Amazônia - Norte Brasileiro.

Embora sejam capitais de estados abrangidos pela Amazônia Legal, São Luis, Cuiabá e Palmas não estão na área do Bioma Amazônia.

Com mais da metade da população vivendo nas cidades, os amazônidas deixam 99,94% do território amazônico (5,086 milhões de km²) para os ecossistemas do planeta Terra, e nesse espaço continental se distribuem apenas 9,23 milhões de pessoas, ou seja, 1,82 habitante/km², em média - uma das mais rarefeitas ocupações demográficas que existem. Para que se tenha uma idéia comparativa, no restante do território do país, 3,461 milhões de km², vivem os outros 174,76 milhões de brasileiros, com média de 50,5 habitantes/km².

Quem povoou a região foram portugueses, espanhóis, ingleses, holandeses e outros europeus, seguidos por asiáticos e africanos, entre eles árabes e não árabes, e depois brasileiros de outras regiões, principalmente os nordestinos desde o final do século XIX, além dos indígenas que já estavam lá, só Deus sabe a partir de quando. Certa vez o então governador do Acre, Jorge Viana, disse que nas comemorações cívicas do estado são hasteadas duas bandeiras: a do Acre e a do Ceará, estado que mais contribuiu com cidadãos para povoar a parte ocidental da região.

O povo amazônico é formado por 28,49% de brancos, 63,97% de pardos, 6,36% de pretos e amarelos e 1,18% de indígenas (cerca de 280 mil índios, distribuídos em diversas etnias), que correspondem a 37,87% dos indígenas do Brasil, mas que são considerados pelo restante dos brasileiros como os únicos seres humanos que habitam a Amazônia.

Então onde podem estar os outros 62,13% dos nossos irmãos indígenas?

Pode ser estranho ou surpreendente, mas estão distribuídos em todas as outras regiões do país, próximos às pessoas que pensam que eles só existem na Amazônia. A cidade brasileira que possui a maior população de índios é São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, e a segunda é São Paulo, a maior cidade da América do Sul. Conforme os números divulgados pelo IBGE, a Bahia possui a segunda maior população indígena, com 64.240 índios, e o estado de São Paulo fica com a terceira, de 63.789 índios, enquanto que o Amazonas é o primeiro, com 113.391. Os totais da FUNAI não batem com os do IBGE, porque ela só considera os índios sob o seu amparo.

A Região Norte detém as maiores taxas de crescimento populacional do Brasil. Veja também no IBGE.

A cultura da Amazônia tem uma variedade proporcional ao seu tamanho, recebendo influência dos colonizadores em algumas regiões mais que nas outras, mas com uma inegável participação indígena, andina e dos originários da África e da Ásia, muito evidente no folclore, na dança e na música. Assim como acontece em todas as regiões que permitem interação com o mundo chamado de “globalizado”, as facilidades tecnológicas de comunicação ensejam constante incremento dessas culturas, principalmente nos maiores aglomerados urbanos.

Se tudo é grande, tudo também é muito longe, e uma grande diferença da Região Norte para as outras regiões é que no centro da Amazônia é quase impossível a construção de estradas de maior alcance; e no lugar de trens, ônibus, caminhões e automóveis, os meios de transporte para longas distâncias são somente aeronaves e barcos.

Considerando que o uso de aviões e helicópteros é mais caro, embora existam lá em grande quantidade também, o transporte popular entre cidades é feito por milhares de barcos. Alguns, mais velozes, fazem os percursos em poucas horas, mas os convencionais levam dias para vencer a mesma distância. Entre os vários tipos há os que oferecem conforto como o de hotéis de alto nível, enquanto outros disponibilizam apenas lugares para que as pessoas se acomodem em “redes”.

Por conseqüência dessas características físicas da região as propriedades e as populações rurais se distribuem nas margens dos grandes rios e lagos, onde predominam moradias e outras instalações montadas em palafitas, necessárias para resistir às cheias periódicas. Quando os níveis das águas alcançam os soalhos das palafitas os seus ocupantes constroem outros mais altos, e para o gado constroem estruturas de madeira chamadas “marombas”. Existem ainda os “flutuantes”, que são edificações construídas sobre enormes toras de madeira, que acompanham a subida e descida das águas e podem até ser rebocadas para qualquer outro lugar, ou outro rio.

Neste ponto é necessária uma explicação sobre as viagens de barcos na bacia amazônica, que por analogia deve ser entendida como um gigantesco esqueleto de peixe, cuja linha vertebral corresponde ao Rio Amazonas, enquanto que as espinhas correspondem aos rios secundários ou afluentes, cada um deles também com subafluentes etc.

Imaginando que alguém se encontre na ponta de uma das “espinhas” (ou no alto de um rio afluente), para chegar à ponta de outra “espinha”, é necessário descer toda a extensão do primeiro rio, navegar pelo rio principal (o maior do mundo) e subir o segundo rio até chegar ao destino, o que às vezes demanda semanas de viagem.

Numa ocasião uma pessoa dizia que fora transferida para Rio Branco/AC e a sua mudança havia seguido por via rodoviária até Porto Velho/RO. Sem deixar que a pessoa terminasse o que dizia, um ouvinte antecipou-se e completou: - E a partir daí vai de navio até Rio Branco, não é?

Não! A mudança seguiria mesmo por estrada até o destino, pois Porto Velho está na ponta de uma “espinha”, o Rio Madeira, e Rio Branco é cortada pelo Rio Acre, um afluente que está na ponta da “espinha” chamada Rio Purus. Por estrada o transporte levaria umas oito horas, no máximo, mas por via fluvial chegaria com umas quatro semanas, considerando também que o Purus é um dos rios mais longos que existem (mais de 2.000km), embora percorra em linha reta uma distância equivalente a cerca da metade da sua extensão, o que acontece por ser este um rio sujeito à formação de inúmeros meandros no seu curso, além de ter a navegabilidade dificultada na época de seca.

Os amazônidas da “zona rural” são adaptados às peculiaridades da sua região, e o único aspecto ruim do seu modo de viver, aquele que é prioritariamente mostrado pela mídia tendenciosa, é o isolamento de localidades e comunidades “ribeirinhas” nas extremidades desses rios, por conta do vazio demográfico já mencionado, muitas delas sem energia elétrica e saneamento adequado, sem transporte rápido para os casos de emergência, sem assistência médica e sem educação, quase sempre limitada à alfabetização e ao ensino fundamental, o que concorre para que esses populações isoladas vivam com um IDH muito baixo, perto de 0600. O analfabetismo na região é de 19%, com cerca de 7% nas áreas urbanas.

Pelo esforço de diversos setores da sociedade e dos governos, inclusive das Forças Armadas, existem barcos que se deslocam ao longo dos rios e de aeronaves que visitam os ribeirinhos e aldeias indígenas para levar assistência médica e social, material de ensino e até assistência jurídica e religiosa. Existem lanchas-ambulâncias e navios-hospitais.

Destaca-se aqui a atividade dos “regatões”, barcos-armazéns que sobem os rios periodicamente vendendo aos ribeirinhos alimentos não perecíveis, roupas, combustíveis, utensílios e outras coisas, quase sempre cobrando preços abusivos. Na verdade o que ocorre são trocas desses materiais por produtos da atividade do habitante local.

O relevo, os solos, a vegetação e o clima.

O relevo da região é caracterizado por baixas altitudes, a chamada planície amazônica, onde ocorrem as Matas de Igapó, sempre inundadas, as Matas de Várzea, só inundadas nas cheias dos rios e as Matas de Terra Firme, nunca inundadas e situadas nos baixos planaltos da Amazônia. Mas lá também ocorrem planaltos, e na serra de Imeri, no Estado do Amazonas, nas proximidades da fronteira com a Venezuela, encontram-se os dois pontos mais altos do relevo brasileiro, o pico da Neblina, com 2.994m e o pico 31 de Março, com 2.992m de altitude (fonte: IBGE).

O Bioma Amazônia não é composto somente de florestas, desde que lá também existem campos, no litoral do Amapá e na Ilha de Marajó, e os do estado de Roraima, que são chamados de “lavrados” ou de “savanas das guianas”.

Quando as pessoas viram imagens da reserva Raposa Terra do Sol, durante os conflitos entre arrozeiros e índios, chegaram a dizer: “- Vejam o que fizeram com a floresta, desmataram tudo…!”

O que viam, porém, eram os campos (lavrados) de Roraima, área situada no hemisfério norte, com características diferentes do restante da região.

MAPA 3

Campos (Lavrados)

Floresta pluvial tropical amazônica

Floresta estacional

Cerrado

Mito ou não, consta que é pobre a maior parte dos solos da floresta tropical, situada no centro da bacia amazônica (não todos). Se houver desmatamento, o solo que abriga árvores de até 60m de altura se torna arenoso e estéril, razão pela qual essas áreas são as mais preservadas, já que não serviriam mesmo para agricultura e pastagens. O estado do Amazonas possui somente 2% do seu território desmatado para agricultura, enquanto que o Amapá possui o maior índice de preservação das florestas, quase intocadas.

Em contrapartida são muito férteis os solos do sul do Acre, do leste e do sudoeste de Rondônia, do extremo sul do Amazonas, do norte de Mato-Grosso e do Tocantins, do sul/sudoeste do Pará e oeste do Maranhão (meio-norte), e estes são os principais alvos dos desmatamentos para criação de pastagens, grandes plantações (de soja e outros) e extração de madeira. Veja isso no MAPA 1.

Para ler sobre os climas da região amazônica consulte o IBGE e CPTEC.

A economia da região amazônica.

Como é:

O legado da natureza conduz a vocação econômica da Amazônia para o extrativismo vegetal, inclusive de madeira de lei, látex, castanha, óleos vegetais, guaraná, açaí, cupuaçu e outros, extrativismo mineral (acompanhado de petróleo e gás natural), pesca e piscicultura, indústria de beneficiamento das matérias primas naturais, agricultura, pecuária, produção de alimentos e turismo.

Acompanhando a história constata-se que os verdadeiros donos da Amazônia sempre viveram na zona rural uma economia quase que somente de subsistência, tirando da terra pouco mais que o indispensável à sua sobrevivência e sem contribuir para a devastação da fonte dos muitos e variados recursos, dispostos em uma área tão grande que todos os seus usuários originais não seriam capazes de extinguir. Isso é corroborado quando se analisam as regiões mais afetadas pelo desmatamento através de imagens feitas de satélites, pois ao longo das estradas (avanço econômico e tecnológico) se vêem mosaicos correspondentes às propriedades rurais que praticam substituição da cobertura vegetal – que em muitos casos atendem só, ou principalmente, aos interesses de pessoas e entidades estranhas à região - enquanto que as margens dos rios se mostram preservadas, já que não foram exauridas pelos amazônidas.

Essas evidências primárias já são suficientes para se concluir que a economia da região tem pelo menos duas faces:

- A primeira corresponde ao uso legítimo da mão-de-obra regional, e até da que é atraída desde outros locais, para a exploração racional e o processamento dos seus recursos naturais, assim como a industrialização de bens em geral. E admite-se essa legitimidade por se saber que as atividades econômicas de todas as regiões do mundo têm sempre relação com o que se pode obter entre os seus recursos locais e as suas potencialidades, as necessidades dos seus habitantes, disponibilidade de força de trabalho e condições climáticas e geográficas;

- A outra é a exploração irresponsável e ilegal da terra e das suas potencialidades, nos moldes que sempre foram usados no mundo todo e no restante do Brasil, desde a colonização, por entidades que buscam somente o lucro momentâneo, sem se importar com o rastro de destruição que fica à sua passagem. Exemplos disso são a extinção do pau-brasil e a do jacarandá, a devastação da mata atlântica etc.

A Amazônia Legal produz 40% da soja e da carne do Brasil, possui cerca de 75 milhões de cabeças de gado, e abriga algumas das maiores propriedades rurais do mundo. Os maiores rebanhos de búfalos do país estão no Pará e no estado do Amapá, em perfeita simbiose, pois os bubalinos usam basicamente pastos naturais e são convenientemente integrados às características da região. A maior parte do gado bovino está dentro do Bioma Amazônia, e dados da Confederação Nacional de Agricultura dão conta de que somente 2% da produção de grãos tenham avançado sobre ele. O Estado do Pará tem enormes conflitos ligados à propriedade e exploração de terras e possui uma das maiores áreas de exploração irregular das florestas na Amazônia, como se pode ver no MAPA 1 e no Google Earth. O Acre, Roraima, Tocantins e o Amapá possuem economia extrativista vegetal, animal e mineral, desenvolvem a pecuária e a agricultura e mantém industrias de produção de alimentos e movelaria.

O estado de Mato Grosso também possui gigantesca área desflorestada na Amazônia, e a utiliza economicamente para consolidar-se como o maior produtor brasileiro de soja, carnes e algodão, enquanto que o Maranhão, terra das palmeiras, explora comercialmente babaçu, carnaúba, buriti, juçara e bacaba, mas também possui grandes reservas e produção de calcário, indústria de transformação de alumínio, alumina, alimentos e madeira, e grande atividade pecuária.

Leia texto sobre o assunto em Planeta Sustentável .

O estado de Rondônia, que apresenta o maior índice de áreas ocupadas sem a cobertura da floresta original em relação ao seu território, recebeu incentivo do governo federal como principal fronteira agrícola a partir da década de 1970, e atraiu para lá grande força de trabalho e de investidores dos estados do sul do país, de Minas Gerais e do Espírito Santo, o que até fez mudar os sotaques na região ocupada. Além da agricultura e da extensa pecuária, também possui extração mineral e desenvolve a industria de beneficiamento de madeiras e moveleira, de alimentos, de confecções, de construção civil e metalúrgica.

Como nos outros estados da Amazônia, a economia do Amazonas inclui extrativismo vegetal e mineração, agricultura, pecuária de corte e de leite em pequena escala, piscicultura e pesca, industrialização de alimentos, turismo (e ecoturismo), mas as suas principais atividades se concentram na capital, Manaus, que detém os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus e mantém os pólos, comercial, industrial, agropecuário e de biotecnologia.

As principais áreas de exploração de minérios são: a Serra dos Carajás, no Pará, onde se extrai ferro e onde se encontra a maior mina a céu aberto do mundo, da Vale (do Rio Doce); a Serra do Navio, no Amapá, com extração de manganês; e Oriximiná, no norte do Pará, de onde se retira bauxita para a produção de alumínio. A extração de petróleo e gás natural é feita a partir de Urucu, no município de Coari, no Amazonas, o processamento é feito na REMAN – Refinaria de Manaus e está em fase bastante avançada a construção do gasoduto Coari/Manaus. O potencial mineral da Amazônia é formado também por algumas das maiores jazidas e reservas mundiais como: ouro, no Pará, no Amazonas, no Amapá, em Roraima e em Mato Grosso; bauxita, no rio Trombetas/PA; ferro também no Amapá e no Amazonas (além do Pará); sal gema no Pará e no Amazonas; manganês no Amazonas, no Pará e no Amapá; cassiterita em Rondônia e no Amazonas; diamantes em vários locais; gipsita, linhita, calcário, cobre, nióbio, estanho, tântalo, zircônio, caulim, chumbo e níquel.

Leia mais AQUI.

A Zona Franca de Manaus: Foi criada na década de 1950 como uma tentativa de movimentar a economia da Amazônia Ocidental após a falência do 2º ciclo da borracha, e foi reformulada e reinstalada em 1967, durante o primeiro governo militar.

A ação se deu sob o argumento de que era necessária a integração das regiões brasileiras, pois havia até o slogan “Integrar para não Entregar”, e isso seria complementado com a ocupação das áreas despovoadas, além de prover condições de sobrevivência econômica e infra-estrutura que atraíssem mão-de-obra, e, principalmente, capital nacional e estrangeiro. Em um perímetro de 10.000km² do município de Manaus estabeleceram-se:

- o Pólo Comercial – que em curto tempo transformou a cidade num enorme shopping center de produtos importados, visitado por todos os brasileiros em busca de menores preços de novidades do primeiro mundo, que naquela época ainda não estavam disponíveis no restante do país;

- o Pólo Industrial - vigoroso, com mais de 450 fábricas sem chaminés que incluem as principais multinacionais da indústria eletroeletrônica, de veículos utilitários, motocicletas e bicicletas, gráfica, relojoeira, e outras;

- o Pólo Agropecuário – no distrito agropecuário, serve principalmente para experiências cientificas, e

- o Pólo de Bioindústria – que conta com o CBA – Centro de Biotecnologia da Amazônia e uma rede de laboratórios para estudo e elaboração de produtos industriais a partir da biodiversidade. Há anos várias empresas da região distribuem e exportam seus produtos feitos com matéria prima da floresta.

O modelo da Zona Franca de Manaus, que tem vigência assegurada até o ano de 2023 pela Constituição Federal, é intensamente criticado e combatido pela mídia e por representantes das outras regiões, que freqüentemente conseguem aprovar no Congresso Nacional ações legais que comprometem a concorrência dos produtos do Pólo Industrial de Manaus, obrigando a bancada do Amazonas a uma vigilância constante para evitar grandes prejuízos à economia do seu estado.

Há dias o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, declarou que as fábricas de Manaus “não deveriam produzir motocicletas e bicicletas”… televisores, etc., porque esses produtos nada têm a ver com a região, e ele pode estar certo. Mas não se pode negar que as atividades industriais em Manaus contribuíram decisivamente para a preservação da cobertura florestal no Amazonas, visto que multiplicaram postos de trabalho e atraíram para lá a mão-de-obra disponível nos arredores, que desistiu de tentar explorar inadequadamente a terra onde vivia.

Para contrariar a opinião do ministro, neste momento existem em Manaus 13 fábricas das diversas marcas de motocicletas, e outras 6 preparam o início da produção. A Moto Honda possui ali a sua segunda maior fábrica no mundo, atrás somente da que possui no Japão, e planeja a instalação de outra planta no PIM.

Leia tudo sobre a Zona Franca de Manaus no site da SUFRAMA.

Como deve ser:

Pela sua condição de componente vital dos ecossistemas do planeta, não há a menor dúvida de que a Amazônia pertence à humanidade, como também pertencem à humanidade a tundra, a taiga e as florestas temperadas do hemisfério norte, a Antártida, as selvas asiáticas e africanas, os oceanos e mares, o pantanal, o cerrado, o que resta da mata atlântica, a floresta de araucárias, as cordilheiras dos Andes e do Himalaia, as montanhas rochosas, os everglades, os desertos e os mangues. E para a preservação de todos há necessidade de ações enérgicas dos governos envolvidos, sem contudo comprometer a soberania de cada país em relação ao seu território.

Portanto, pelas limitações impostas pelo contexto ecológico que envolve a região, e por ser ela também fonte econômico-social para os seus habitantes e de consumo para o restante dos brasileiros e o resto do mundo - desde que as deficiências dos outros ecossistemas do planeta não acabem com ela - há necessidade de profundos estudos e planejamento para encontrar o modo ideal de crescimento, ou pelo menos de estabilidade econômica, com o uso racional e minucioso da terra e do que dela se pode obter, definindo maneiras de repor ou compensar o que for retirado.

Entre essas práticas racionais está a de incentivar nos centros consumidores a reutilização de produtos e o uso de materiais recicláveis, renováveis e não poluentes, reduzindo a exploração de matéria prima. Por exemplo, como meio a ser ampliado para reduzir o uso de embalagens plásticas, altamente poluentes, espera-se que receba incentivo a produção de fibras têxteis, como a juta e a malva, que são plantas amazônicas de ciclo curto cujo desenvolvimento ocorre nas várzeas durante a vazante dos rios, e que por isso mesmo pouco interferem nas condições ambientais.

Como o mundo necessita da madeira que a Amazônia fornece, é absolutamente óbvio que esse tem que ser um dos seus produtos, mas a atividade tem que ser praticada de uma forma que inclua reflorestamento, manejo planejado e cuidados especiais dedicados a cada espécie em particular. Sobretudo seria ótimo se esse reflorestamento substituísse as áreas desmatadas para pasto e produtos agrícolas de grande volume, como a soja e a cana-de-açúcar, embora se deva perseguir a hipótese de melhoria nas condições de execução dessas culturas.

A mesma racionalidade exige também definição legal de parâmetros balizadores das atividades que afetam o meio ambiente, como esse cultivo e processamento de madeira, agricultura, pecuária e mineração, além da adoção de métodos eficazes de fiscalização e punição dos que excederem a esses limites.

A Zona Franca de Manaus é alvo de várias formas de ação pela concorrência, seja através da mídia, aparentemente a serviço dos verdadeiros interessados, seja através de interferência política, ou mesmo do comércio nacional ou internacional, e acaba de sofrer dois duros golpes que resultam em fechamento de empresas e a conseqüente redução de postos de trabalho. Um é a opção das indústrias locais de eletro-eletrônicos por importar componentes da China, mais baratos pelas razões que todos conhecem, do que comprá-los dos fornecedores tradicionais, do próprio Pólo Industrial de Manaus ou de outra praça brasileira; e o outro ocorre porque o Senado acaba de aprovar isenção de sete impostos para empresas autorizadas a operar em Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) espalhadas pelo país, que poderão também vender 20% da sua produção no mercado interno desde que sejam pagos todos os tributos incidentes.

A Zona Franca sempre se recupera desses abalos, mas parece ser este o momento mais oportuno para deslanchar os projetos em andamento do Pólo de Bioindústria, que utiliza a biodiversidade sem concorrência da floresta e opera a partir do PROBEM/Amazônia – Programa Brasil. de Ecologia Molecular para Uso Sustentável da Biodiversidade da Amazônia.

Conforme relato da SUFRAMA o programa atrai a atenção de várias indústrias nacionais e estrangeiras que formulam medicamentos, vacinas e cosméticos utilizando matéria prima natural, e o governo brasileiro espera desenvolver rapidamente as facilidades para que novas empresas aproveitem as oportunidades oferecidas. Os produtos do novo pólo serão alimentos, cosméticos, fármacos, inseticidas biológicos, essências, aromatizantes, corantes naturais, antioxidantes e fermentos. O Centro de Biotecnologia da Amazônia é responsável pela implementação da infra-estrutura científica e tecnológica, e pelo desenvolvimento de toda a cadeia produtiva e dos meios de proteção da biodiversidade.

A extração de látex nunca deixou de ser feita na Amazônia, embora em menor escala, mas neste momento ressurge em importância e volume de produção para atender a contratos com grandes empresas, que inclusive se dedicarão à fabricação de pneus para motocicletas e bicicletas em Manaus, incentivadas também pela disponibilidade de gás natural extraído e canalizado desde o campo de Urucu em Coari/AM, que reduzirá sensivelmente o seu custo de produção.

A região possui um grande potencial turístico que deve ser estimulado, principalmente no turismo ecológico, embora já explore com sucesso estruturas hoteleiras de alto padrão convencional, assim como os Lodges (ou hotéis de selva), que têm entre seus hóspedes inúmeras celebridades internacionais.

A infra-estrutura.

Na Amazônia os acessos sempre impuseram dificuldades, e isto é constatado até nos relatos sobre a época da colonização do Brasil, pois a demora para o início da sua ocupação tem várias explicações, inclusive a de que era quase impossível, a partir do Atlântico, navegar contra a corrente do “Mar Dulce” nos navios a vela e a remo da época. Na verdade a exploração só teve início a partir das expedições dos espanhóis, que vinham dos Andes em busca do “país da canela” e do “Eldorado”, e percorreram a bacia amazônica ao sabor da correnteza do Amaru Mayu (A serpente Mãe do Mundo), que depois batizaram de Amazonas.

Houve expedições subindo o Rio Amazonas, e a união ibérica concorria para que espanhóis entrassem nos domínios lusitanos, e vice-versa, mas os portugueses só chegaram efetivamente à Amazônia no início do século XVII, através das expedições realizadas por terra para explorar os sertões, em busca principalmente de ouro e pedras preciosas. E ali, no território do Grão-Pará, encontraram ingleses e holandeses que, havia muitos anos, já tiravam proveito de um ativo comércio de madeiras e pescado, iniciando plantios de cana-de-açúcar, algodão e tabaco, até serem expulsos em 1639. Ironicamente, desde o descobrimento e a colonização, os “brasileiros” já desprezavam as coisas amazônicas, que extraordinariamente já atraíam “estrangeiros”.

Voltando à analogia entre a bacia amazônica e um esqueleto de peixes, no centro da Amazônia é mais fácil a construção de imensas pontes do que estradas - e isso já está acontecendo em Manaus, mas nas extremidades das “espinhas”, onde os rios são menos caudalosos, e entre cada uma dessas “espinhas” ou grandes rios, existem estradas, como a BR-319 – Porto Velho/Manaus (em recuperação); a BR-174 – Manaus/Boa Vista, que leva ao Caribe através da Venezuela; a BR-163 – no trecho Cuiabá/Santarém; e diversas estradas estaduais. Existe extensa malha rodoviária e até ferrovias no sul e no leste do Pará, no Maranhão e em Mato-Grosso, no sul do Acre e em Rondônia. O acesso do Brasil a portos peruanos na costa do Pacífico será possível através da rodovia interoceânica, que estará concluída até o ano 2010 e atravessa a fronteira com o Perú em Assis Brasil, no estado do Acre.

As cargas rodoviárias de/para Manaus/AM e Boa Vista/RR são colocadas em carretas, embarcadas em comboios de balsas fluviais com até quarenta carretas cada uma, e transportadas entre Manaus/Belém e Manaus/Porto Velho, e daí para o resto do país por estradas. As cargas marítimas são transportadas por grandes navios oceânicos que chegam até Manaus, mas que também podem navegar até Iquitos, no Perú, pelo rio Solimões (rio Amazonas).

Diante da inexistência de estradas, a maioria dos municípios da Amazônia possui pelo menos uma pista para operações de aeronaves, e onde elas não existem são operados hidroaviões. O aeroporto de Belém é um dos mais modernos do Brasil e o aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, é o terceiro em movimentação de carga, atrás apenas de Viracopos e Guarulhos, e em breve passará por reforma e ampliação. Para que se perceba o nível desses aeroportos não é demais acrescentar que o aeroporto de Manaus, construído na mesma época que o Galeão, Confins e Guarulhos, foi inaugurado antes dos outros três, tornando-se então o primeiro do Brasil a possuir fingers (pontes para acesso de passageiros às aeronaves).

Os rios amazônicos abrigam hidrelétricas como Samuel, em Rondônia, Balbina, no Amazonas e Tucuruí, no Pará, que atende também a uma parte da Região Nordeste, e estão em projeto e licitação outras sete usinas para exploração do potencial hídrico da região. Das que estão em fase mais adiantada, duas serão construídas no Rio Madeira, em Rondônia; e outra, a usina de Belo Monte (no Pará), será a segunda do Brasil, posição que hoje é ocupada pela usina de Tucuruí. Com a conclusão do gasoduto Coari/Manaus será viabilizada a utilização de gás natural para geração e barateamento de energia, que atenderá às indústrias locais e quase à totalidade da área metropolitana de Manaus.

Agora já se sabe como é a Amazônia.

Paulo Vale, um amazônida.





O poder de cada cidadão.

1 06 2008

Paul-Michel Foucault, filósofo francês (1926-1984), afirma em suas obras que o poder deve ser entendido a partir das relações que estabelecemos no cotidiano e não como um privilégio de poucos.

Foucault não concebe o poder como algo que os indivíduos cedem a alguém, ou que alguém conquista ou do qual se apossa, mas como uma relação de forças, e que, por ser relação, está em todas as pessoas, em todos os lugares e em tudo que se faz, não restando qualquer cidadão desprovido disso, podendo qualquer um exercer livremente um tipo de poder, por menor que seja. Para o filósofo, o poder não é somente opressor ou repressor, pois também produz efeitos positivos de verdade e saber, práticos e subjetivos.

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ERROS DE PORTUGUÊS REPROVAM 70% DOS CANDIDATOS A EMPREGO.

3 02 2008

Entre os principais deslizes estão concordância e gerundismo. Especialistas dizem que é bom prestar atenção ao falar.

Do G1, em São Paulo, com informações do Jornal Hoje.

Você sabia que de cada dez pessoas que passam por uma entrevista de trabalho, sete são reprovadas porque falam e escrevem errado? Falar bem o português é uma exigência hoje em dia, para qualquer função. Até mesmo para quem não lida com pessoas, como um operador de máquinas.

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